20 de novembro de 2009

Caráter é tudo

Nos anos 90 um comercial da Sprite tinha o seguinte slogan: "imagem não é nada, sede é tudo. Beba Sprite.".

Nessa semana a França jogou contra a Irlanda, em partida que decidiria uma vaga para a Copa do Mundo de 2010, que será realizada na África do Sul.

Aos 12' da prorrogação a Irlanda vencia a França por 1x0, quando numa bola cruzada da direita para esquerda Thierry Henry ajeitou a bola com a mão esquerda e deu o passe para Gallas empatar a partida. A vaga na Copa era da França.




No Brasil quando o normal é as pessoas negarem os fatos, mesmo com as imagens dizendo o contrário.

O que Thierry Henry disse sobre o lance:
"Está claro que a solução mais evidente seria voltar a jogar a partida, mas isso não depende de mim. Naturalmente estou incomodado com a maneira como conquistamos a vaga, e sinto muito pelos irlandeses, que mereciam ir à África do Sul. Foi uma reação instintiva, a bola estava muito rápida. Nunca deixei de admitir que usei a mão para controlar a bola. Disse aos jogadores da Irlanda, ao árbitro e à mídia depois do jogo. Não sou nem nunca fui um trapaceiro".

Lógico que ele não deveria ter metido a mão na bola, mas ter caráter para dizer a verdade já é algo altamente positivo.

Minha avaliação do caso: imagem não é nada, caráter é tudo.

8 de novembro de 2009

Prenderam a vítima

Ei! Está havendo algo errado.

Imagine essa cena: um assalto está em andamento. A vítima, muito assustada. O ladrão coloca a arma na cabeça da escolhida, enquanto leva os brincos e o relógio da moça. Mas calma! A polícia chegou. Como tem testemunhas e a polícia chegou a tempo, todos imaginam que o problema está resolvido.

Mas não. Essa polícia estranha decidiu mandar o ladrão ir embora levando o que havia assaltado e prendeu a vítima. Sim, prenderam a vítima. Afinal, como pode, nos tempos atuais, com tanto perigo nas ruas, alguém andar exibindo belos brincos e relógio por aí?

Isso aconteceu há poucos dias, não exatamente dessa forma, mas a metáfora é válida.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091108/not_imp462899,0.php

Aonde vamos parar? Um grupo que age como verdadeiros talibãs em busca de um soldado americano ou como sem-terras ávidos por derrubar laranjais ou simplesmente tomar propriedades produtivas, é simplesmente inocentado e a vítima foi punida.

Todos os argumentos devem ser ouvidos e apurados, de ambos os lados, mas nada, nada mesmo justifica uma ação estúpida como a que ocorreu na universidade de São Bernardo do Campo.

7 de novembro de 2009

Cc: Com cópia para...

Impressionante como as coisas mudaram dentro do escritório.

Em 1997/8 haviam 2 computadores para 10 pessoas. Na prática, eram 2 máquinas de escrever modernas para emitirmos documentos.

Neandertal, australpitecos, homo sapiens e todo esse lance de evolução da espécie. O escritório também evoluiu e "todo mundo" passou a ter um computador com internet e correio eletrônico, o danado do eme-iu.

Qualquer coisa é eme-iu pra cá, é eme-iu pra lá, tá todo mundo mandando e-mail, mesmo que a pessoa esteja a dois metros de você. Óbvio que essa ferramenta é excelente por dinamizar a comunicação e resolver problemas, em tese, em menor tempo.

Entretanto... também há a tal da cópia. Agora "todo mundo" manda os eme-ius com cópia, assim quem recebe não tem trabalho de enviar novamente para outras pessoas. Outros mandam sempre copiando o chefe direto, como quem diz: "Ei, veja como estou trabalhando!" ou simplesmente: "Note o que é obediência. Você mandou, eu estou fazendo."

Eu sou uma dessas pessoas aí. Das que recebem com cópia ou das que é copiada.

Muito bem! Agora, quem disse que eu quero receber esse montão de eme-ius apenas para saber que outra pessoa recebeu? Quem disse que eu, depois de receber, vou querer enviar o famigerado eme-iu para outra pessoas? Será que não posso decidir sozinho? Será que preciso saber tudo que as outras pessoas recebem?

Isso mais parece com cara de twitter. Quando manda já vai logo pra "todo mundo".

Todo esse processo e toda essa tecnologia nos faz refletir se realmente ganhamos tempo. Afinal, temos que dedicar horas diariamente a ler cópias, ou pelo menos abrí-las.

É momento de repensar. Onde está o discernimento?